quarta-feira, 13 de abril de 2011

O fantasma

Amália via fantasmas. Ou melhor, via um fantasma específico. Ele não tinha nome nem rosto, mas muita vontade própria. Aparecia e desaparecia quando queria, apenas para deixar a moça mais confusa. Era um fantasma cheio de marra e manha. Amália às vezes era acordada por um perfume sorrateiro (quase palpável), que a despertava por todos os sentidos. Não era cheiro de flor, mas de homem. Perturbada que ficava, andava pela casa toda, e só o que encontrava eram vestígios da companhia fugidia: uma toalha que aparecia molhada em cima da cama; respingos de urina no assento da privada; a televisão da sala ligada e o sofá quente e deformado como se tivesse acomodado alguém, pesado, por longas e longas horas. As poucas vezes em que Amália viu o tal fantasma, ele estava de costas, nunca se virava. Ela ficava ali, paralisada, estupefata, sem conseguir tirar os olhos daquela visão: sim, o fantasma tinha corpo. E que corpo! Nessas horas, Amália desmaiava, e não se sabe como, ia parar na cama. Quando acordava, (também não se sabe como uh lala) estava cansada (de um cansaço bom!), e lânguida (de uma languidez fantástica!). Se sentia medo? Sim, de que o fantasma nunca mais a assombrasse.

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