No exercício da linguagem, me perdi entre tentativas infames de dizer do que não sei.
Gosto da prosa. De mente aberta, livre e poética. Já a poesia, em mim, é fala curta e grossa.
De palavras sem sentido eu ando farta. Quero um novo dicionário, só meu, em que entenda todas as palavras antes mesmo de lê-las.
sábado, 17 de setembro de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
A vanguarda dos medianos
Somos de vanguarda - ele disse.
E o que ela pensou foi: - O que será dos que nos sucederem?
E o que ela pensou foi: - O que será dos que nos sucederem?
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O fantasma
Amália via fantasmas. Ou melhor, via um fantasma específico. Ele não tinha nome nem rosto, mas muita vontade própria. Aparecia e desaparecia quando queria, apenas para deixar a moça mais confusa. Era um fantasma cheio de marra e manha. Amália às vezes era acordada por um perfume sorrateiro (quase palpável), que a despertava por todos os sentidos. Não era cheiro de flor, mas de homem. Perturbada que ficava, andava pela casa toda, e só o que encontrava eram vestígios da companhia fugidia: uma toalha que aparecia molhada em cima da cama; respingos de urina no assento da privada; a televisão da sala ligada e o sofá quente e deformado como se tivesse acomodado alguém, pesado, por longas e longas horas. As poucas vezes em que Amália viu o tal fantasma, ele estava de costas, nunca se virava. Ela ficava ali, paralisada, estupefata, sem conseguir tirar os olhos daquela visão: sim, o fantasma tinha corpo. E que corpo! Nessas horas, Amália desmaiava, e não se sabe como, ia parar na cama. Quando acordava, (também não se sabe como uh lala) estava cansada (de um cansaço bom!), e lânguida (de uma languidez fantástica!). Se sentia medo? Sim, de que o fantasma nunca mais a assombrasse.
sábado, 9 de abril de 2011
Paralelo
Era uma vez (falta de uma forma criativa de se começar) uma guria de muitas vidas. Quero dizer, mais ou menos como múltiplas personalidades. Mas na verdade, ela vivia em mundos paralelos, e tinha que tomar conta pra não ser pega em flagrante quando trocava seus disfarces. Assim, a guria não se cansava nunca daquilo que era, afinal, ela nem ao menos sabia quem era de verdade. Hora era furacão, causando estragos imensuráveis por onde passava, hora era mansidão, que ninava o mais nervoso dos brutos. Seus disfarces eram discretos, coisas de expressão. Sabia fazer com que seus olhos ardessem como brasa, de ira ou paixão, ou com que virassem pó de tristeza, semi-cerrados por pura covardia. De cidade em cidade, a guria ia se divertindo com suas habilidades performáticas, e não deixava de fascinar, mesmo quando passava rápido como um visto de lápis no papel. Fascinava justamente pela possibilidade de não ser humana, como pode alguém ser a expressão exata de sentimentos reais, e ao mesmo tempo, nunca ser atingida ao ponto de sucumbir? Ela fugia na hora certa, nunca se atrasava. Às vezes, a própria guria se surpreendia com a rapidez com que mudava de personagem e se livrava de todos os resquícios de caracterização (e de dor), começando, de novo, do zero, sua nova e fugaz vida. Mas um dia morreu (sim, era humana. E mortal). E foi enterrada como indigente.
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